segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Memórias Cinéfilas - Amarcord 1


Vou tentar, com alguma regularidade, escrever sobre filmes que muito me dizem. Uns receberam críticas positivas, outros aplaudidos unanimamente e outros ainda ignorados ou maltratados.
Há já algum tempo, numa das "idas à FNAC"(i.e. sem um propósito concreto) reteve-me a atenção uma edição importada do incompreendido e maltratado 'Until the end of the world' de Wenders.
Ficaram-me os olhos naquela edição, ainda por cima os extras prometiam e estava a um preço razoável. Espero encontrá-la por lá ainda...
Na altura fiquei a pensar no filme e pude aperceber-me que recordo muito pouco o argumento do filme, mas ficaram-me as imagens.
Efectivamente, Wenders é um cineasta de imagens, à semelhança de Antonioni; não da palavra como o foi Bergman, se bem que Ingmar era também um realizador que pugnava por uma fotografia admirável, o seu director Nikvist é um gestor das 'emoction pictures' tão caras a Wenders...
Assim sendo, não vou escrever muito ainda sobre este filme. Proponho-me visioná-lo assim que possa e depois então voltar ao mesmo.
Se algum dos caros blognautas que me possa eventualmente visitar quiser 'postar' algo, é muito bem vindo.



Federico Visconti

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Un'ora sola ti vorrei



Amore non ti lascerò desiderare nulla
perchè tutto,
tutto quello che ti potrò dare,
non te lo darò nemmeno:
sarà tuo subito.

- Liseli Hoepli -


'UN'ORA SOLA TI VORREI'
(Italia, 2002, un film di Alina Marazzi), é um filme de uma sensibilidade extrema. Tributo à memória da mãe perdida por uma criança de 7 anos, é um objecto fílmico de uma riqueza enorme. Estamos perante a forma do documentário, mas desta obra extravasam ondas de amor e beleza.

Tive a felicidade de o ver/analisar no I Curso de Cinema Italiano Contemporâneo, organizado pelo Instituto Italiano de Cultura em Lisboa, decorrido de 1 de Março a 10 de Maio de 2007.

Como diz a autora "o filme é a reconstrução da minha experiência de pesquisa do rosto da minha mãe, através da montagem de filmes realizados pelo meu avô. Uma tentativa de lhe tornar a dar vida ainda que só no écrã, um modo para a celebrar recordando-a. Durante quase toda a minha vida o nome de minha mãe foi ignorado, evitado, escondido. O seu rosto também. Contudo, tenho a sorte de a poder ver mexer-se, rir, correr... Até de a ver no seu primeiro dia de vida! E depois de a ver crescer, aprender a andar, casar-se, levar-me a fazer um passeio de barco!"



domingo, 5 de agosto de 2007

A propósito de Bergman




PARA SEMPRE

Não te pedi mais
que o vento
à noite
nas dunas
onde a lua
reflectia nos teus seios...

A cama estava junto à parede
como naquele filme de Bergman.
Todas as tardes puxávamos as palhinhas
do estore. Ao acordar
a primeira imagem
eram uns fios de sol
entre as tuas pernas
que tornavam a tua púbis ruiva...

No mar
gostava de sentir os teus lábios salgados,
correr atrás de ti
e ficar com os músculos das pernas doridos.
Depois já na toalha
ficar entregue à tua volúpia
exausto, flutuando de pazer...

Por esses dias
soube da felicidade
como se de uma revelação se tratasse.
Quando te foste
queimei a cabana
e fiquei imóvel a vê-la arder.
Agora volto aqui todos os anos
nas férias e fico sentado a olhar...

13 dezembro 90
(Federico Visconti)

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A insustentável leveza do (v)ser...







Ou, seja, a causa da paixão... Brevemente postarei um poema que escrevi há alguns anos, cuja fonte de inspiração reside nestas imagens.
Federico Visconti


Composição Visual



Ainda a propósito de Antonioni, acabo de ler este artigo de Giovanna Grassi, na edição de 01 Agosto 2007, do Corriere della Sera.
Muito interessantes as declarações de Jack Nicholson, relativas ao valor do maestro na sua vida e as relativas à aquisição dos direitos do filme “Professione, Reporter”:


“Se chiudo gli occhi, rivedo Michelangelo nella sabbia del deserto durante le pause delle riprese di Professione reporter: cercava sempre una inquadratura, l'inquadratura. Ci faceva sentire il silenzio nell'oasi del Sahara dove la troupe ogni sera mangiava cibi venuti dall'Italia mentre il mio regista, un padre, un amico, e soprattutto un maestro per me, continuava con i suoi occhi attenti a vedere e a farci "sentire" le sue inquadrature. Questo è ancora il film che amo di più e che considero l'avventura più forte che io abbia mai avuto (…)”.

“(…)«È con me la sua gioia per un evento, quando a Los Angeles nel 2005, il mio grande maestro di vita arrivò, indomito, vitale come sempre, per assistere alla proiezione di Professione Reporter del quale io avevo acquistato i diritti sin dal 1983 per proteggerlo e ridistribuirlo in America. Era il suo film, ma ormai anche il mio e fu un trionfo che poi si ripetè a New York e altrove».

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Festival de Locarno



Começa hoje a 60.ª edição do Festival de Locarno. Portugal será representado por Jorge Cramez, com o filme 'O Capacete Dourado'.
Ver "Festival di Locarno: il cinema della prima volta" e na página do mesmo.

Luto




Esta semana começou com o desparecimento de dois grandes cineastas. Primeiro Bergman e depois Antonioni. Enfim, sabiamo-los inactivos, mas a esperança é sempre a última coisa a morrer... Quero imaginá-los em paz, a um numa daquelas ilhas suecas e a outro disperso na neblina de Ferrara.

De Bergman recordo um certo asceticismo. Recupero algumas imagens desordenadas de filmes seus na RTP2 dos anos 80, mas o enamoramento recua ao visionamento de "Mónica e o desejo" e "Uma lição de Amor" na Barata Salgueiro (Cinemateca). Decorria um ciclo - não lembro se de Bergman ou pour cause de lui ou de um dos seus actores... foram dias de um enlevo indescritível. Espero poder repeti-lo brevemente.
Com Antonioni, o Amor resulta da "escola de cinefilia" acessível sempre via Cinemateca. O porteur do modernismo ao cinema, o arquitecto da sétima arte, enfim todas as conhecidas e citadas designações, chegou-me nessas sessões das seis e meia de boa memória na velha sala de maples brancos. O "Aventura" e o "Eclipse", entre outros, penso que ainda no Estúdio 444 o "Identificazione di una donna", mas desse 'primo approccio" o filme que mais me intrigou e baralhou foi o "O Deserto Vermelho". Tangente e incisivo (a necessitar de uma revisão de "aggiornamento")...


Acabo esta primeira postagem relativa a estes dois maestros, com uma citação do próprio Antonioni: 'Penso che gli uomini di cinema debbano sempre essere legati, come ispirazione, al loro tempo. Non tanto per esprimerlo nei suoi eventi più crudi e più tragici, quanto per raccoglierne le risonanze dentro di sé.'




Mudança de instalações

O Política, Cidadania e Civilização fecha as portas. O projecto começou com alguma regularidade, mas os afazeres dos escribas deixavam pouco tempo para as postagens.
Este novo blog pretende ser um pouo diferente. Migra um dos fundadores do "Política...", o FBR, mais os seus amigos (ou serão heterónimos!?) Bento de Aviz e Federico Visconti.
A necessidade de criar o "E la nave va" prende-se com a cinefilia do Federico e o desaparecimento de dois maestri del cinema: Bergman e Antonioni.
Contudo, a política, a cidadania e a civilização vão continuar a ser postadas, sempre que necessário e desde que haja tempo (esse bem fugaz).